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Filipa Taborda
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quando eras mar eu era terra

Paralelo

quando eras mar eu era terra
navegavas ao sabor do vento
eu pisava a responsabilidade
e apostava na saudade

passeávamos de mãos dadas na rua inquieta
mas vivíamos dentro de quatro muros
com janelas invertidas
para a paisagem da vida, dos dias escuros
a passar em nós, sós

o silêncio é bom acompanhado
de mãos dadas com o olhar
a tocar levemente a pele atenta,
sedenta de ouvir a vida a passar

o silêncio também é pesado
quando não é propositado
quando massacra o conforto
e nos leva para fora de nós

que cansaço andar em paralelo
quando o cruzamento podia ser belo
e tu podias ser a terra, que eu pisava delicada
partículas desagregadas
como eu

ou podia eu ser onda em encore
fazer parte do teu ser, complexo palco
podia ser céu refletido
brilhante espelho da minha alma

mas tu não quiseste nem apenas ser
não me deixaste sequer apenas ver
fechaste as janelas para o breu
e, sorrateiramente, a pouca luz
desapareceu