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Filipa Taborda
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parede cega

Caminho

parede cega
tela branca
kre kre kre
vai de mãos dadas com o silêncio
avança
pára!
avança
espera!

já viste como éramos felizes naquele tempo
sem preocupações
sem perdões
apenas convicções
essas ingénuas tiras de poder
que apenas com a brisa
dispersam soltas
sem rumo

queríamos nós um fio de prumo
queríamos projetar, imaginar
uma vida a passar
nos ângulos por nós demarcados
mas os ângulos não são retos
um mínimo deslize,
e já são tortos os planos

de anos que vivemos a sonhar
a deslizar o pensamento
a evocar trajetos
mais ou menos certos
do caminho e do seu fim
mas onde pára ele
se só estamos no início
e só vemos curvas
quando traçámos retas

as escolhas são incertas
e as distâncias que nos parecem curtas
são afinal infinitas
e os meus pés não querem andar
em piso irregular
qual a outra forma de caminhar?

a resposta virá
talvez não hoje
talvez não amanhã
e enquanto isso
deslizo o dedo e passo a imagem
ao menos tenho o pensamento
daquele tempo
em que era fácil andar